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HORA, Abelardo da
Escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor.
Abelardo Germano da Hora (1924: São Lourenço da Mata, PE).

Formou-se pela Faculdade de Direito de Olinda (PE). Em seguida, fez o curso de Artes Decorativas no Colégio Industrial Professor Agamenon Magalhães e frequentou o Curso Livre de Escultura da Escola de Belas Artes do Recife, onde estudou com Casimiro Correia.
1943-45 – Realizou trabalhos em cerâmica para o industrial Ricardo Brennand, em São João da Várzea (PE), representando temas e tipos nordestinos.
1946 – Foi um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife, instituição que dirigiu por cerca de dez anos, e que cumpriu importante papel na renovação das artes plásticas pernambucanas. Entre as principais iniciativas da Sociedade está a criação, em 1952, do Ateliê Coletivo, que teve a participação de artistas como Gilvan Samico, Wilton de Souza, Wellington Virgolino, Ionaldo, Ivan Carneiro e Marius Lauritzen; e que foi por ele dirigido até 1957.
1948 – Realizou a sua primeira exposição de esculturas, na Associação dos Empregados do Comércio, no Recife, na qual já se evidencia sua preocupação com a temática social.
Década de 1950 – Conquistou a medalha de bronze em escultura no Salão Nacional de Belas Artes de 1950 e, nessa mesma modalidade, o primeiro prêmio nos Salão de Belas Artes de Pernambuco de 1952, 1954 e 1956. Em 1953, sua gravura Enterro de Camponês foi premiada pelo Clube de Gravura de Recife. Nessa época, produziu esculturas para praças públicas da capital pernambucana, representando tipos populares.
Início da década de 1960 – Ocupou cargos administrativos (diretor de Parques e Jardins, diretor da Divisão de Artes Plásticas e Artesanato e secretário de Educação) da Prefeitura do Recife nas gestões dos socialistas Miguel Arraes e Pelópidas da Silveira. Na mesma época, fundou o Movimento de Cultura Popular, que promoveu o ensino gratuito de arte e incentivou atividades em que se integravam artes plásticas, música, dança e teatro, até ser encerrado pela repressão política que se abateu sobre o país após o Golpe Militar de 1964. Ainda em 1962, publicou o álbum de gravuras Meninos do Recife, no qual denuncia os graves problemas sociais da capital pernambucana.
1966 – Fixou-se em São Paulo e se vinculou à Galeria Mirante das Artes, onde apresentou, no ano seguinte, a coleção de desenhos Danças Brasileiras de Carnaval.
1974 – Produziu as esculturas Desamparados e Água para o morro, que revelam a permanência da temática social em sua obra.
2008 – O Instituto Abelardo da Hora organizou a mostra retrospectiva Amor e Solidariedade: Abelardo da Hora – 60 anos de arte, com um total de 130 obras. A exposição, itinerante, foi apresentada a princípio no Museu de Arte de São Paulo (Masp), estendendo-se posteriormente para outras cidades do país (Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa) e do exterior (Caracas, Paris e Bruxelas).

Sua obra foi sempre marcada por grande preocupação com as questões sociais, apresentando, segundo o crítico Geraldo Ferraz, “um expressionismo de contorções, de incisões, de amargo e profundo, aprofundado desenho, no cimento, no bronze ou no mármore, peculiarmente no primeiro desses materiais, que é preferido pelo artista pelo seu caráter tão duro e tão áspero, o que acrescenta sofrimento às figuras”.

Principais exposições individuais:
1986 – Embaixada do Brasil/Galeria Debret, Paris, França.
1988 – Abelardo da Hora: retrospectiva, Recife, PE.

Principais exposições coletivas:
1949 – 1ª Exposição do Atelier Coletivo, Sociedade de Arte Moderna, Recife, PE.
1949/50 – 55º e 56º Salão Nacional de Belas Artes, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ - menção honrosa (1949) e medalha de medalha de bronze (1950).
1957/66 – 6º e 15º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, RJ.
1963 – Civilização do Nordeste, no Museu de Arte Popular do Unhão, Salvador, BA.
1975/81 – 7º e 13º Panorama de Arte Atual Brasileira, Museu de Arte Moderna, São Paulo, SP.
c.1980 – A Escultura Brasileira no Século XX, Museu de Arte de São Paulo (Masp), São Paulo, SP.
1985 – 18ª Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal, São Paulo, SP.
1992 – A Sedução dos Volumes: os tridimensionais do MAC, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo, SP.


Fontes
CAVALCANTI, Carlos. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. MEC/INL, 1974.
FERRAZ, Geraldo. Seis artistas pernambucanos. In: BRUSCKY, Paulo (org.); LEITE, Ronildo Maia (org.). Abelardo de todas as horas. Recife: Fundarpe, 1988. p.25.
INSTITUTO Abelardo da Hora. <http://www.iah.org.br/>
PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1969.
<http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_
biografia&cd_verbete=511&cd_item=1&cd_idioma=28555>

 

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