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DUBUGRAS, Victor

Arquiteto e professor
Victor Dubugras (1868: La Flèche, França – 1933: Teresópolis - RJ).

“Victor Dubugras é representativo das várias etapas e transformações pelas quais passou a arquitetura dos países latino-americanos entre 1890 e o início da década de 1930 e não apenas do Protomodernismo. O modo como vivenciou essas mudanças nos obriga a reconhecê-las não como um salto súbito mas como um lento processo de experimentação, gerado por uma contínua preocupação com a racionalidade e modernização.” (Nestor Goulart Reis Filho in REIS FILHO, Nestor Goulart. Victor Dubugras: precursor da arquitetura moderna na América Latina. São Paulo: Edusp, 2005, p.14).

Emigrou com a família para a Argentina, onde obteve treinamento profissional. Em Buenos Aires, trabalhou no escritório do arquiteto italiano Francesco Tamburini, responsável por muitos prédios neorrenascentistas da capital portenha, como o Teatro Cólon.
1891 – Mudou-se para a cidade de São Paulo. Consta que teria trabalhado inicialmente com o arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo na carteira de imobiliária do Banco União.
1894 – Iniciou carreira docente na Escola Politécnica de São Paulo, assumindo o cargo de professor de aula, em geral preenchido por profissionais sem diploma de nível superior ou com diplomas não prestigiados pela Politécnica.
1894-97 – Realizou projetos de escolas, fóruns e cadeias para a Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, entre os quais, os do grupo escolar de Botucatu e os dos fóruns de Avaré, Araras e São Carlos, utilizando elementos neogótico e românico.
1897 – Abriu seu próprio escritório de arquitetura.
1901 – Participou de concurso para a Igreja Matriz de Ribeirão Preto (SP), sendo classificado em segundo lugar, entre mais de vinte concorrentes.
1902-04 – Projetou os palacetes de Flávio Uchoa e Horácio Sabino, em estilo art nouveau, na região da Avenida Paulista, em São Paulo.
1904 – Obteve o segundo lugar no concurso para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro com o projeto em estilo art nouveau. Juntamente com Edmundo Krug, participou do concurso para o Palácio Legislativo de Montevidéu.
1905-06 – Elaborou o projeto de reconstrução da Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, e o da Vila Presidencial da Vitória, também na capital baiana, a pedido do governador José Marcelino de Souza.
1906 – Projetou a estação Mayrink da Estrada de Ferro Sorocabana, em São Paulo. Obra precursora da arquitetura moderna no país, a estação foi construída em cimento e ferro, apresentando características notáveis para a época, como os arremates superiores das torres, com vidros coloridos e lajes de cobertura plana.
1908-14 – Realizou numerosos projetos de residências e edifícios comerciais, entre os quais, as casas para João Dente, na Avenida Paulista, o edifício para a empresa A Previdência, no Largo da Sé, em São Paulo, e a residência para Afonso Geribello, em Ribeirão Preto.
1911 – Foi um dos membros fundadores da Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros de São Paulo.
1914-19 – Participou do movimento em prol da revalorização da arquitetura tradicional, acompanhando o então prefeito de São Paulo, Washington Luiz Pereira de Souza, em viagens pelos arredores da cidade a fim de levantar a arquitetura do período colonial. Ao longo do período, realizou projetos de residências em estilo neocolonial, entre as quais, as casas de Névio Barbosa e da Baronesa de Arary, na capital paulista, e do engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, em Santos. Também colaborou com o engenheiro Saturnino de Brito nos projetos (não executados) do Sanatório Popular e das Habitações Populares e Econômicas em Santos, de caráter ultramoderno para a época.
1916 – Foi um dos membros fundadores do Instituto de Engenharia de São Paulo. Obteve o em segundo lugar (classe de edificações completamente isoladas) no concurso de casas econômicas para o proletariado, organizado pelo prefeito Washington Luiz.
1919 – Elaborou o projeto de reurbanização do Largo da Memória (antigo Largo do Piques), no centro histórico da capital paulista. O projeto, em estilo neocolonial, compreendeu a construção de um chafariz e escadarias, valorizando o obelisco existente no local. Inaugurado três anos depois, o Largo da Memória integrou-se ao Parque Anhangabaú e a Ladeira da Memória passou a ser rua exclusiva para pedestres, uma das primeiras do gênero na cidade.
1921-22 – Por encomenda do então governador de São Paulo, Washington Luiz, projetou monumentos e pousos do Caminho do Mar, na serra de Paranapiacaba (SP). O conjunto arquitetônico, que contou com a azulejaria de José Wasth Rodrigues, foi construído em comemoração ao centenário da independência do Brasil.
1925 – Foi efetivado como professor na Escola Politécnica de São Paulo.
1926 – Elaborou projeto (não executado) de residência para Arnaldo Guinle, em Teresópolis (RJ).
1927 – Aposentou-se da Escola Politécnica de São Paulo. Participou do Congresso Pan-Americano de Arquitetos, em Buenos Aires.
1928 – Transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu projetos de caráter monumental, como um restaurante no Alto da Boa Vista, e outros ligados ao mercado imobiliário, como dois condomínios horizontais inspirados nas “cidades-jardim” inglesas.

Participou, entre outras, das seguintes exposições:
1901 – Exposição Geral de Belas Artes, Rio de Janeiro (medalha de prata).
1902 – Exposição Municipal de São Paulo (medalha de prata).
1904 – Exposição de St. Louis, Estados Unidos (medalha de prata).
1916 – Exposição do Centenário da Escola de Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (pequena medalha de ouro).

Em 1997, desenhos originais e painéis fotográficos de obras do arquiteto foram expostos em sala especial na 3º Bienal Internacional de Arquitetura, em São Paulo. Em 2002, foram realizadas as exposições Victor Dubugras, precursor do modernismo, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e Victor Dubugras, no Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal em São Paulo.
Seu acervo foi doado à FAU/USP pelo neto e também arquiteto Elvin Donald Mackey Dubugras.


Fontes
CAVALCANTI, Carlos (Org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: INL/MEC, 1973, v. 2, p.81-82.
FICHER, Sylvia. Os arquitetos da Poli: ensino e profissão em São Paulo. São Paulo: FAPESP/Edusp, 2005. pp.75-83.
REIS FILHO, Nestor Goulart. Victor Dubugras: precursor da arquitetura moderna na América Latina. São Paulo: Edusp, 2005.
KIYOMURA, Leila. A arquitetura moderna na América Latina começou assim. Jornal da USP, nº 178, 21 a 27 de março de 2005. Disponível em:
< http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2005/jusp718/pag0607.htm>
CORRÊA, Paulo Roberto; PISANI, Maria Augusta Justi. A Estação de Mayrink do arquiteto Victor Dubugras. Resgate de um patrimônio arquitetônico. Arquitextos, São Paulo, 10.109, Vitruvius, jun 2009. Disponível em:
< http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.109/44>
MIYOSHI, Alex. Victor Dubugras, o arquiteto dos caminhos. Revista da História da Arte e Arqueologia, nº 12, jul.-dez. 2009. Disponível em:
< http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/downloads/Revista%2012%20-%20artigo%204.pdf>
< http://www.itaucultural.org.br/AplicExternas/enciclopedia_IC/
index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=5384&cd_item=33&cd_idioma=28555>

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