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BORSOI, Acácio
Arquiteto, urbanista e professor.
Acácio Gil Borsoi (1924: Rio de Janeiro, RJ – 2009: São Paulo, SP).

“Inicialmente influenciado por Oscar Niemeyer, Borsoi foi aos poucos depurando seu estilo, numa adaptação bastante criativa dos princípios modernistas às peculiaridades do Nordeste. O resultado foi uma obra original e de alto valor estético, que influenciou as gerações posteriores de arquitetos nordestinos.” (Lauro Cavalcanti in CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 26).

1939 – Começou a trabalhar com o pai, Antonio Borsoi, desenhista formado pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, autor de projetos de reformas e interiores de prédios públicos e particulares no Rio de Janeiro, como a Confeitaria Colombo, o Palácio Guanabara e a Biblioteca Nacional.
c.1944-1949 – Realizou o curso de arquitetura na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Ainda estudante, colaborou com os arquitetos Affonso Reidy e Alcides da Rocha Miranda e montou um pequeno escritório com Almir Gadelha e Arthur Coelho. Depois de formado, trabalhou com Rodrigo de Melo Franco no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).
1951 – Mudou-se para o Recife, iniciando carreira docente na Escola de Belas-Artes de Pernambuco, por indicação de seu ex-professor Lucas Mayerhofer. Além das atividades de ensino, abriu escritório de arquitetura na capital pernambucana, realizando o projeto do Pronto Socorro do Recife (atual Hospital da Restauração). Também iniciou atuação como consultor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan).
1953 – Realizou seu primeiro projeto de residência em Recife, encomendado pelo engenheiro Lisanel de Melo Mota, utilizando a linguagem e a técnica arquitetônica modernas (pilotis, cobertura em formato de asa de borboleta) e elementos da arquitetura colonial, como treliças em madeira semelhantes as dos muxarabis. No mesmo ano, projetou o edifício Califórnia, no Recife, testando a solução do prédio de uso misto, com bloco vertical (destinado a moradia) sobre bloco horizontal (destinado ao comércio e aos serviços).
1954-1959 – Realizou projetos de residências e prédios públicos e particulares em várias capitais nordestinas, como o conjunto residencial da Praça Fleming e o Museu de Arte Moderna (não construído), em Recife, e as residências de Cassiano Ribeiro Coutinho, em João Pessoa, com paisagismo de Roberto Burle Marx, e de João Macedo em Fortaleza. Prosseguiu as atividades docentes como professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), criada em 1955. Juntamente com Delfim Amorim, arquiteto português radicado no Recife, contribuiu decisivamente para a renovação do ensino de arquitetura na UFPE e a difusão da arquitetura moderna no Nordeste.
1959-60 – Viajou à Europa com bolsa de estudos do Itamaraty, visitando escolas de arquitetura e design na Dinamarca, Noruega, Finlândia, Inglaterra, Alemanha e Itália. De volta ao país, projetou o edifício comercial Santo Antônio, em Recife, utilizando elementos pré-moldados de concreto aparente. O edifico marcou uma nova fase na obra do arquiteto, apresentando espaços internos nitidamente inspirados nos interiores sem revestimentos de James Stirling e Le Corbusier.
1963-64 – Colaborou com o governo Miguel Arraes em Pernambuco, desenvolvendo o projeto de construção de casas populares para a comunidade de Cajueiro Seco, em Jaboatão, a pedido do Serviço Social contra o Mocambo. Neste projeto, propôs a construção das casas pelos moradores da comunidade com a utilização de unidades de taipa pré-moldadas. Participou do Congresso Panamericano Internacional de Arquitetura, realizado em Cuba, onde tomou conhecimento de novas tecnologias para a habitação popular. Foi preso após a deposição do governador Miguel Arraes e do presidente João Goulart, permanecendo detido por duas semanas.
1964-68 – Realizou projetos de residências e edifícios, explorando o tijolo e o concreto aparente como parte da composição. Casou-se com a arquiteta e artista plástica Janete Costa e fundou o escritório Borsoi Arquitetos Associados, em 1968.
1970-80 – Dedicou-se mais intensamente a projetos de edifícios residenciais, comerciais e administrativos, realizando numerosos projetos para o Banco Nacional de Habitação (BNH) Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais (Inocoop). Entre os trabalhos representativos desse período, merecem destaque os edifícios Rembrandt e Debret, em Recife, a sede do Ministério da Fazenda, em Fortaleza, e o Fórum Judiciário de Teresina, com grandes brises de concreto dispostas de modo aparentemente irregular.
1979 – Pediu demissão do cargo de professor na UFPE. Juntamente com seu filho Marco Antônio Gil Borsoi projetou o conjunto habitacional Caçote (Ignez Andreazza), em Recife, para uma população estimada em 10 mil habitantes.
1984 – Projetou a Assembleia Legislativa do Piauí, juntamente com Janete Costa e Marco Antônio Gil Borsoi, construída ao lado do Fórum Judiciário de Teresina. Seguindo o mesmo princípio do prédio vizinho mais antigo, o bloco de gabinetes da assembleia foi composto por um volume cercado de colunas com pórtico sombreante, contrastando com o maciço em concreto aparente da plenária.
1988 – Retornou ao Rio de Janeiro, deixando seu escritório no Recife sob a responsabilidade do filho Marco Antônio Gil Borsoi. Construiu sua própria residência no bairro de São Conrado.
1990 – Venceu concurso para o Centro Administrativo de Uberlândia, MG, juntamente com Janete Costa, Marco Antonio Gil Borsoi, Milton Leite Ribeiro e Rosa Maria Chagas Aroucha. Inaugurado três anos depois, o centro administrativo agrupou as sedes dos poderes Executivo e Legislativo municipais, além de diversos órgãos da administração direta de Uberlândia.
1992-99 – Realizou os projetos de restauração e reforma do Palácio dos Leões e restauração e ampliação do Teatro Arthur Azevedo, ambos em São Luís, do ateliê de pintura de Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro, da Casa de Pernambuco, na cidade do Porto, Portugal, do Hospital Geral de Olinda e de Ouricuri e da residência de Ricardo Brennand, em Ipojuca, no estado de Pernambuco.
2005 – Recebeu o Colar de Ouro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) na Bienal Internacional de Arquitetura, em São Paulo. Voltou a residir em Pernambuco, fixando residência em Olinda.
2006 – Em comemoração aos 80 anos do arquiteto, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães promoveu a mostra “Acácio Borsoi: a arquitetura como manifesto”, em Recife.
2009 – Contribui no projeto do novo edifício da Assembleia Legislativa do Maranhão, em São Luís.


Fontes
ACÁCIO Gil Borsoi. AU Arquitetura e Urbanismo, nº 84. São Paulo, jun./jul.1999.
AMARAL, Izabel. Um olhar sobre a obra de Acácio Gil Borsoi: obras e projetos residenciais 1953-1970. Dissertação de Mestrado. UFRN, 2004.
ANAIS da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco. Ata da nonagésima sexta reunião ordinária da terceira sessão legislativa ordinária da décima quinta legislatura, realizada em 13 de setembro de 2005.
BIERRENBACH, Ana Carolina. Conexão Borsoi-Bardi: sobre os limites das casas populares. RISCO – Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo, nº 1, 2008.
CAVALCANTI, Carlos (Org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: INL/MEC, 1974, v. 1, p. 252.
CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: guia de arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 26-29.
IDEAL de vida. AU Arquitetura e Urbanismo, nº 139. São Paulo, out.2005, p. 35-41. Disponível em:
< http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/139/artigo22242-1.asp>
NASLAVSKY, Guilah; AMARAL, Izabel. Identidade nacional ou regional? A obra de Acácio Gil Borsoi. In 5º Seminário DOCOMOMO Brasil. Arquitetura e Urbanismo Modernos: Projeto e Preservação, São Carlos: 2003. Disponível em:
< http://www.docomomo.org.br/seminario%205%20pdfs/056R.pdf>
SCOCUGLIA , Jovanka Baracuhy Cavalcanti; MONTEIRO, Lia; DE MELO, Marieta Dantas Tavares. Arquitetura Moderna no Nordeste 1960-70: a produção de Borsoi em João Pessoa. Influências pernambucanas e necessidade de preservação. Arquitextos, São Paulo, 06.063, Vitruvius, set 2005. Disponível em:
< http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.063/432>
< http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=
artistas_biografia&cd_verbete=5876&lst_palavras=&cd_idioma=28555&cd_item=1>

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