FERREZ, Marc
Escultor, gravador e professor.
Marc Ferrez (1788: Saint-Laurent, França – 1850: Rio de Janeiro, RJ).

1809 - Ingressou na Escola de Belas Artes de Paris, onde foi aluno do escultor Philippe-Laurent Roland e do gravador Pierre-Nicolas Beauvallet.
1817 – Após estadia de seis meses em Nova York (EUA), desembarcou no Rio de Janeiro acompanhado de seu irmão, o também escultor e gravador Zepherin Ferrez, para se integrar à Missão Artística Francesa que aqui havia chegado no ano anterior, a convite do então príncipe-regente dom João. O objetivo principal da Missão Francesa era implantar no Brasil o ensino regular de Belas Artes nos moldes neoclássicos que então vigoravam nas academias europeias. No mesmo ano, junto com outros integrantes da Missão Francesa (o irmão Zepherin, o também escultor Auguste Marie Taunay, o pintor e desenhista Jean-Baptiste Debret e o arquiteto Grandjean de Montigny), participou da decoração de ruas e praças e da criação de monumentos alusivos à chegada ao Brasil da princesa austríaca Maria Leopoldina, que havia se casado com o príncipe dom Pedro.
1818 – Tomou parte nos preparativos das festividades relacionadas à aclamação de dom João VI como rei de Portugal, ocorrida no Brasil. Paralelamente, começou a trabalhar na ornamentação do edifício que então estava sendo construído para ser a sede da Academia e Escola Real de Artes (futura Academia Imperial de Belas Artes – AIBA), para o qual produziu ornatos, baixos-relevo e as estátuas de Apolo e Minerva que foram colocadas na fachada do prédio.
1820 – Foi nomeado professor pensionista (substituto) de escultura da referida Academia, sendo promovido a segundo professor da cadeira em 1824, após a morte de Taunay, e, finalmente, professor catedrático em 1837. Nesse posto, foi responsável pela formação de uma nova geração de escultores no Brasil, com destaque para Chaves Pinheiro, que mais tarde também seria professor da AIBA. Ministrou também aulas de desenho elementar na mesma instituição.
1829-30 – Tomou parte nas primeiras exposições da AIBA, organizadas por Debret. Entre 1839 e 1848, participou de várias edições da Exposição Geral de Belas Artes, anualmente realizadas na Academia.
Marc Ferrez era um artista com sólido domínio das técnicas escultóricas, tal como era então exigido nos ambientes acadêmicos europeus. Ao contrário, porém, de escultores mais velhos como Taunay, ainda impregnados pelo academismo rígido de Jean-Louis David, Ferrez já começava a assimilar as tendências que valorizavam uma representação mais realista da natureza e da figura humana, e que então começavam a ganhar terreno no velho continente.
Ao longo de sua presença no país, esculpiu os bustos de diversas personalidades políticas brasileiras, entre os quais dom João VI, dom Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, visconde de São Lourenço, baronesa de Sorocaba, marquês de Olinda, comendador Joaquim José Nunes Pereira e Bernardo Pereira de Vasconcelos, entre outros. Realizou ainda baixos-relevos para o palacete da marquesa de Santos, no bairro carioca de São Cristóvão; a decoração da varanda do Palácio Real por ocasião da aclamação de dom Pedro II (1831); e a decoração da fragata “Constituição”, que trouxe a futura imperatriz Teresa Cristina para o Brasil.
Entre as instituições que guardam obras de sua autoria, destacam-se o Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro) e o Museu Imperial de Petrópolis (RJ).
Seu sobrinho, também chamado Marc Ferrez, foi um dos principais nomes da fotografia brasileira na segunda metade do século XIX e nos primeiros anos do século XX.
Sua obra foi tratada por Afonso de Escragnolle Taunay no estudo A Missão Artística de 1816, publicado pela primeira vez em 1912; e pelo historiador Gilberto Ferrez, bisneto de Zepherin Ferrez, na conferência Os Irmãos Ferrez da Missão Artística Francesa, pronunciada em 1966 e publicada no ano seguinte na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).

Fontes
CAVALCANTI, Carlos. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. MEC/INL, 1974.
- PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Civilização Brasileira, Rio de
Janeiro, 1969.
<http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_
biografia&cd_verbete=2606&lst_palavras=&cd_idioma=28555&cd_ item=1>

 

AFC