Bauhaus  Alemão haus (casa) + bauen (construir) . Em 1920, Henry Van de Velde, diretor da Faculdade de Artes Decorativas e da Academia de Weimar, Alemanha, recomendou à maior autoridade local, o Arquiduque, que nomeasse o arquiteto alemão Walter Adolf Gropius (1883-1969) coordenador das duas instituições. Logo este as reuniu em uma só escola, sob o nome de Staatliches Bauhaus – o que seria uma espécie de Secretaria de Estado para a Construção. Deve-se registrar que vários movimentos contemporâneos e tradições decadentes convergiram para a realização da Bauhaus, o que não se tratou de fenômeno espontâneo.   
   
A Primeira Guerra (1914-18) terminara, deixando a França e a Alemanha arrasadas; a  Rússia vivia em convulsões permanentes, mesmo depois da vitória da Revolução Bolchevista de 1917, ainda ameaçada pelos regimes conservadores de outros estados. Nesse ano, no Congresso de Tours, os franceses fundaram a sua Seção da Internacional Comunista, enquanto na Palestina se instalavam as primeiras colônias sionistas.

Servindo de pano de fundo à beligerância, surgiu a Sociedade das Nações, de vida efêmera, que seria incapaz de evitar as catástrofes que se anunciavam.  

A tradição germânica estava enraizada nas guildas medievais, associações de trabalhadores segundo seus ofícios, com estrutura semelhante à dos atuais sindicatos. As guildas insistiam na produção de lindas peças artesanais; por outro lado, culturalmente, os alemães vinham da tradição romântica que os manietava desde o século 18, e se prolongaria entre os seguidores do expressionismo. Na pintura, o apego aos acadêmicos continuava, para desespero dos “modernos”. Desde a metade do século 19, a industrialização exercera sobre as artes uma ação considerada demolidora. E os herdeiros do Art Nouveau perdiam-se em desvios de arte decorativista. A escola surgiu nesta encruzilhada de heranças.

O Bauhaus advogava papel mais importante para a arquitetura e o design, perseguindo a máxima economia de materiais, atendendo às finalidades práticas do fazer artístico. Não era uma proposta somente estética, mas social e política, pois o convívio teve um efeito didático (diríamos hoje, “cidadão”), mesclando cérebros criadores com ofícios manuais.

As teses dos adeptos do Bauhaus pressupunham que o contato estreito entre o ensino e a indústria iriam propiciar o bem social e a economia nos investimentos.

Em 1925, Gropius projetou uma escola em outra cidade germânica, Dassau, na qual continuou a mostrar o respeito e atenção por cada material, sempre cuidando de baratear os custos. Com este ponto de vista, passaram a se desenhar e fabricar, em escala industrial, cadeiras, mesas, instalações tubulares, atividades em que se destacaram Mies van der Rohe (1866-1969) e artistas de vanguarda atraídos pelas propostas. Nomes que ficariam para a posteridade, como Paul Klee (1897-1940), Wassily Kandinsky (1866-1944) e Moholy-Nagy (1895-1946), ensinaram na escola. Le Corbusier (Édouard Jeanneret-Gris, dito 1887-1965) foi um dos talentos que estabeleceu contato importante com os inovadores. Além disso, o Bauhaus teve contribuição inestimável para a segunda fase do Art Déco.
 
O ensino rompeu a relação tradicional entre professores e alunos, juntando uns e outros em uma comunidade, ou melhor, uma irmandade. A excelência e clareza dos mestres iniciais da Bauhaus em muito ajudou ao seu êxito. Desde o começo, eles se ligaram a indústrias, escolhendo os projetos que pudessem ser reproduzidos em série, fossem móveis, tecidos, luminárias, etc. O estudante era posto em contato com os materiais, como alumínio, celofane, tecido, madeira, aço e desse contato nascia uma intimidade do aluno com as propostas de ensino prático.

Não se tratava de explorar abstratamente algumas ideias criativas, mas de trabalhar sobre as necessidades concretas da população, num esforço coletivo. Como recomendava Klee, primeiro há que identificar as necessidades sociais, e só depois se deve pensar na forma definitiva do trabalho. Esta atitude levou a escola à busca incessante de técnicas e materiais e a resultados surpreendentes.
  
O Bauhaus deixaria para trás um emaranhado de influências, seguindo firme nos seus propósitos, de tal maneira que, mesmo décadas após o seu desaparecimento, sua herança permanece entre nós, integrando as artes à nossa vida, interferindo em nosso cotidiano, dirigindo-se concretamente a projetos para baratear os imóveis e o mobiliário.

Não perduraram apenas os seus métodos e pontos de vista, mas a sua filosofia, colocando o design ao serviço do bem comum. O movimento teve tanta difusão que hoje grande parte dos móveis e equipamentos que ocupam nossas residências, escritórios e espaços públicos, são réplicas fiéis dos produtos do Bauhaus.
  
Em 1928, Gropius foi substituído na direção até que, após pressão dos nazistas, finalmente a escola foi fechada, em 1933. A diáspora de seus artistas levou-os para os EUA, inclusive Gropius.

Em 1937, sob a direção do citado artista plástico húngaro Moholy Nagy, foi tentada uma recuperação do movimento, que se intitulou New Bauhaus  (Nova Bauhaus), e que não reabilitou nem os ideais, nem os resultados de sua congênere original, mas que, mesmo assim, influenciou a arquitetura nos EUA.

Na Alemanha, a memória do movimento faz parte do seu patrimônio cultural e está conservada em Berlim, no Museu Bauhaus Archiv/Museum für Gestaltung, Klingelhöferstr.14.

V. Acadêmico. Art Déco. Art Nouveau. Expressionismo. Guilda.

Bauhaus, W. GropiusBauhaus, sofá Le CorbusierBauhaus, Paul Klee, Jardim das rosas, 1920Bauhaus, mesa Barcelona, 1925-26Bauhaus, luminária Wagenfield, 1923-24Bauhaus, Kandinsky, Composição VIII, 1923Bauhaus, escola em WiemarBauhaus, BreuerBauhaus